Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

 

“[As mulheres] elogiam os bons rapazes, mas reservam-nos para as amigas.

Acham mais graça aos outros, não resistem à tentação de os domesticar.”

 

Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos



publicado por Dreamfinder às 09:38
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

 

“O pai João telefonou. Esteve na Alemanha e foi o melhor numa entrevista de selecção, mas não obteve o lugar por ser «pouco agressivo e tímido». Que mundo te deixo? Interessa menos o que se é e mais o que se parece, a nossa imagem ganha-nos em importância.”

 

Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos



publicado por Dreamfinder às 09:54
Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

 

“A dependência das mulheres traduz a sua jamais construída autonomia psicológica. Ele admira-lhes, receoso e ávido, a força. Delas espera revelações sobre si e o mundo. A idealização da figura feminina atinge o seu máximo no que à sensibilidade diz respeito. Quase supersticioso, concede às mulheres sexto, sétimo e oitavo sentidos. À boa maneira do século XIX – ou dos actuais machos latinos politicamente corrigidos… - não as trata melhor por isso. Mas quando se dedica à introspecção apenas encontra a falta de tudo o que lhes sobra a elas.”
 
Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos


publicado por Dreamfinder às 09:53
Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
 
 
“os homens lidam mal com os afectos. Amam-se em silêncio ou a coberto de graçolas; separam-se a pretexto de trajectos profissionais diferentes; arrependem-se nos encontros ocasionais e prometem telefonar-se.”
 
Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos


publicado por Dreamfinder às 10:20
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

 

“A dependência também é isto, discute-o semana após semana com os toxicodependentes. Explica-lhes que confiam em produtos para lhes proporcionar o prazer, a anestesia, a desenvoltura, a fuga à caretice. A solução vinda de fora, imediata e susceptível de ser comprada. E eles percebem que não são extraterrestres, mas hiperadaptados ilegais à sociedade de consumo. Adeptos da felicidade pronto-a-vestir. Sem esforço ou demora. Muito menos trabalho interior.”
Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos


publicado por Dreamfinder às 19:46
Terça-feira, 07 de Abril de 2009

 

“Gostaria de ser um tipo calmo e não sou. Vai daí, por pirraça, quase sempre aguento a angústia a céu aberto. Sem necessidade de o fazer, pois não colocou Deus receptores destinados às benzodiazepinas no nosso cérebro?”
 
Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos


publicado por Dreamfinder às 09:25
Terça-feira, 03 de Março de 2009

 
 
“Escrevo sobre mulheres na esperança de, aqui e ali, por acaso ou à força de tentativas e erros, lhes aflorar os segredos. Não para os utilizar, menino! Para os saborear no que têm de caleidoscópios. As mulheres nunca cessarão de me fazer sentir com pés de chumbo, invejando os pássaros.”
 
Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos


publicado por Dreamfinder às 21:14
Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Para esta semana:

 

O Tempo dos Espelhos

Júlio Machado Vaz

(Texto Editora)

 

 

Nesta autobiografia, Júlio Machado Vaz retrata-se tal como se vê ao espelho, de forma dura, sem rodeios, sem falsas cerimónias. A duas vozes. A sua própria voz, qual narrador que nos vai contando a sua vida; e a voz da sua consciência, autocrítica, que vai escrutinando todos os sentimentos, descobrindo segundas intenções, traumas de infância e medos escondidos. Ao longo do livro, vamos descobrindo que o psiquiatra é, no fundo, um sentimental hipocondríaco. A obra, escrita após um grave problema de saúde do seu autor, é um legado e uma homenagem a toda a família Machado Vaz e tem o seu próprio ritmo. Um ritmo pautado pelos sonhos, pelas angústias, pelos medos, pelos sucessos e pelos fracassos, pelas certezas mas, sobretudo pelas incertezas da vida. Recomendo vivamente. Deixo um excerto a juntar a outros, já anteriormente aqui publicados:

 

"Chegaram as análises. Atrasei-as um mês, invadido por um pressentimento sombrio. Depois, a fé supersticiosa do hipocondríaco levou a melhor e estendi o braço à agulha, odiada desde infância. É habitual os psis vestiram a hipocondria com as roupas negras e longas da depressão a fazerem lembrar os vestidos severos das divas do fado. Estou de acordo – muitas vezes, o questionar obsessivo do corpo esconde a tristeza funda e solitária. Impede o voo além da própria sombra, quanto mais o pousar nos braços de outros! E contudo, a hipocondria pode ceder face a paixão alucinada ou tragédia real. Como se amor e drama lhe roubassem a energia necessária para a sua interminável busca."



publicado por Dreamfinder às 10:21
Sábado, 17 de Novembro de 2007

 

"Os objectivos eram a curto prazo: gelados, férias, caprichos em geral e rabo a salvo em particular. (…) Também não houve projecto de realce na puberdade, a primeira profissão a despertar o seu interesse foi a de varredor da câmara, por desejar sair à noite. (…) Mas na adolescência quem não sonha com impossíveis ou faz planos meticulosos e concretos vai parar por mau caminho. E que desejava então Sua Excelência? O que hoje descreve aos clientes como megalómeno – “apenas” ser feliz. Sem ponto de referência, etapas e cronologia – ser feliz e pronto. Podem imaginar o que aconteceu. Refugiado nesta visão messiânica do futuro, não menos protegido pelas saias de mãe e avó, desembocou numa equação simplista e trágica: a felicidade chega pela mão das mulheres. A moral materna, o Porto burguês dos anos 60 e a ideologia do amor romântico fizeram o resto. Ou seja: reduziram-no a um zombie à espera da mulher da sua vida."

Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos



publicado por Dreamfinder às 15:58
Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

“O que sonhou então a nível profissional? Nada. Incrédulos? Eu repito com mais ênfase: rigorosamente nada. Traída que foi a queda para a História, por cedência a chantagem bem intencionada da mãe, deixou-se levar pelos acontecimentos e nunca perdeu muito tempo a imaginar vida para além dos exames. Querem um exemplo típico de apatia “bem sucedida”? No quinto ano de Medicina percebera que as enfermarias o horrorizavam e o ensino surgia-lhe como a única solução. Porque a média assim o permitia, falou com o professor de determinada disciplina. Ah, a Universidade Portuguesa, em que a tradição ainda era – e é... – o que era! O lugar de monitor estava “reservado”. Mas o velho professor gostava dele e sentiu-se culpado, telefonou a outro catedrático e perguntou-lhe se o aceitaria na equipa. Ao que a voz do outro lado do fio respondeu “com todo o prazer, mande-o cá”. (…) Em dez minutos passou de candidato ao ensino de uma disciplina, a docente de outra! Maleabilidade intelectual? Também, afinal foi um monitor razoável durante vários anos. Mas um laissez faire, laissez changez que denunciava a total ausência de rumo definido. A psiquiatria não foi uma vocação, mas um enorme suspiro de alívio – desistira da História dos povos e tropeçou nas histórias das pessoas. Não foi ele a chegar lá, depois de um caminho percorrido, mas a Psiquiatria a resgatá-lo da corrente sem destino que o arrastava.”

Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos



publicado por Dreamfinder às 11:56
“Um leitor é sempre um estudante do mundo.” Deborah Smith
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